Sempre que me perguntam porque Deus deixa acontecer coisas ruins com pessoas "inocentes"; costumo responder esta questão usando uma frase de Baruch Spinoza: “As coisas nos parecem absurdas ou más porque delas só temos um conhecimento parcial e estamos na completa ignorância da ordem e da coerência da natureza como um todo. ”

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A intolerância sobre a Tolerância


Algumas das definições para tolerância são: Consentir; Permitir; Deixar passar. Estas são apenas algumas das várias definições que encontramos nos dicionário, mas posso dizer que "tolerar", também é ouvir com atenção e pensar antes de emitir qualquer opinião a respeito do que está sendo dito.

Ser tolerante é uma virtude que a cada dia observamos em menos pessoas, infelizmente. Até aquelas que sofrem com a intolerância tem dificuldade para tolerar pessoas que não comungam de uma mesma opinião.

Hoje tudo se discute, mas o que me assusta é a superficialidade destes debates.
Lutamos muito para ter o direito de falar e expor nossas ideias, conquistamos esta liberdade, mas o que falta agora, em algumas pessoas, é conteúdo, saber ouvir e o principal, ter empatia. 

Entre os assuntos mais discutidos hoje, estão: Religião, politica, futebol, drogas, aborto, homossexualidade e homofobia.
Depois do que foi dito acima sobre a tolerância, espero que leiam este texto com o mesmo cuidado que tive ao escreve-lo, de coração e mente aberta para tentar expor um ponto de vista sem ofender ou menosprezar aqueles que pensam de forma diferente.
Quero deixar uma outra visão a respeito do assunto homofobia, tão discutido ultimamente, defendido e muito atacado por diversas pessoas e seguimentos, por este motivo vou abordar este assunto tentando compreender um lado pouco observado sobre tema.

Mas o que vem a ser de fato a homofobia?
 
Segundo o site Significados.com, “homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais.”

Um fato que me chama muito a atenção lendo esta definição é, será que devemos crer que pastores, padres, bispos e líderes religiosos no geral, se encaixam nesta descrição como homofóbicos?
Talvez poucos tenham se perguntado isto, principalmente quando lemos esta parte: “..ódio, preconceito que algumas pessoas, ou grupos nutrem contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais.”

Por mais que alguém se sintam contrariado, esta pergunta não pode ser respondida de forma simplista como alguns insistem em responde-la.

Nenhum líder religioso sério e que usa os princípios cristãos, tem no coração estes sentimentos, principalmente contra outros seres humanos.
Quando estes princípios são defendidos, é incompreensível imaginar atitudes como estas vindas de grupos que pregam a paz, amor e união.
Quando me refiro a líderes religiosos, sempre tenho como base pessoas sérias que não brincam com a fé alheia, pessoas de caráter e que realmente buscam a Deus com humildade. 
É inegável que em todos os segmentos existem pessoas sérias, como também, pessoas inescrupulosas que usam da simplicidade e boa-fé das pessoas para engana-las. Para estas só posso lamentar e continuar orando por suas vidas.
 
Ter ideias diferentes, pontos de vista, causas, ideologias, crenças e estilo de vida, nada disto justifica as violências, como estamos cansados de ver em telejornais, como se vivêssemos em guerras e fossemos inimigos mortais.

Em uma resposta bem superficial, mas que carrega uma verdade bem profunda, a igreja é um local onde se prega sobre o respeito, comportamento, mas não, necessariamente, sobre a pessoa em si. É dever dos cristãos se manifestarem e defender aquilo em que acreditam, principalmente sobre o assunto família, o que é a base de tudo. É incoerente querer que se calem em nome do que classificam como intolerância.

É bom que se diga que a fé não tem como inimiga a carne, ou seja, as pessoas. 

Por outro lado, todas as pessoas possuem a liberdade de viver da forma que desejarem, se responsabilizando por suas decisões, nenhum cristão tem o direito de exigir, seja por palavras ou a força, que uma pessoa qualquer mude seu modo de viver. Ninguém é obrigado a aceitar doutrinas religiosas, mas, também, não podemos querer acabar com elas alegando defesa da liberdade.

Todas pregações sobre este assunto, discursos e posicionamentos de líderes religiosos sérios, estão focadas no homossexualismo e não na pessoalidade dos homossexuais. Seria muito bom que as pessoas entendessem isto, inclusive alguns que se dizem cristãos.

Quando um homossexual sente necessidade de se defender, precisa entender que não é a pessoa do líder religioso que está em questão, mas aquilo que eles acreditam e defendem. Uma coisa é a letra, a palavra que define uma forma de viver e a outra são as pessoas, os seres humanos aos quais merecem respeito e amor.

Todos os posicionamentos, escolhas, conceitos e formas de se viver podem ser discutidas ou questionada, mas desde que se faça com amor, com respeito, separando a "pessoalidade" daquilo que está em questão. Quando isto é feito os resultados são outros, há um consenso e ambos saem com o sentimento de dever cumprido. 

"..Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."   Evelyn Beatrice Hall*

Quando um homossexual assume a sua condição, precisa ser respeitado como um individuo, como um cidadão com os mesmos direitos e deveres que qualquer outro. Em contrapartida, não deve sentir-se ofendido a cada vez que ouve um discurso sobre princípios religiosos, porque esta prática está dentro da mesma liberdade que todos temos direito.
Divergências sempre existiram e sempre existirão, precisamos aprender a conviver com elas.

Soli Deo Gloria

José Luiz de Paiva 

* Nota a frase mencionada acima, apesar de muitas vezes atribuída a Voltaire, é de Evelyn Beatrice Hall que escreveu para ilustrar as crenças de Voltaire na biografia sobre o autor "Amigos de Voltaire". Fonte, clique AQUI.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

O Joio do Trigo

Sempre quando ouvimos alguém falar sobre o joio e o trigo, logo associamos a coisas ou pessoas boas e ruins. 
É com uma certa frequência que ao falar sobre Deus para alguém, antes precisamos convence-las, com provas, que não fazemos parte do joio e sim do trigo, só então elas se dispõem a ouvir.

Pode ter um aspecto positivo esta situação, mostra o quanto elas estão seletivas,  não aceitando qualquer informação, mas o que preocupa mesmo são os números crescentes de pessoas empenhadas em desmoralizar a Palavra de Deus por interesses próprios. 

Nesta parábola do joio e do trigo, que encontra-se no livro de Mateus 13:23 a 30, percebemos que Deus deixou que ambos cresçam juntos, mas ficou claro que ao fazer a colheita o trigo será guardado e o joio queimado. 
  
Tenho me preocupado muito em não generalizar, mas esta "desconfiança" se dá por um número crescente de "cristãos" tratando o evangelho de forma superficial e isto tem  me assusto um pouco. 
Parece que simplificamos a tal modo que tudo passou a não ter tanta importância. Infelizmente isto vem acontecendo com o cristianismo de uma maneira geral.

Em todos os textos que escrevo gosto de mencionar opiniões com trechos de alguns escritos que leio, isto ajuda na compreensão.
Reproduzi uma pequena parte de uma reflexão muito interessante sobre o ponto de vista de um novo convertido, a percepção do "primeiro amor" quando nos convertemos e pensamos ser capazes de abraçar o mundo sozinhos. Não é com demérito que faço esta observação, acredito que este primeiro fôlego de vida traz uma força que aos poucos vamos deixando escapar, infelizmente.

Vamos ao trecho da reflexão:
"...1. As pessoas não se interessarão pela mensagem do evangelho apenas pela publicidade que se faz na mídia. Quanto mais dinheiro se gasta na mídia, mais as pessoas acham que o mundo evangélico é uma armadilha de aproveitadores, que se valem da boa índole do povo. As igrejas devem concentrar esforços em gerar homens e mulheres com um testemunho de vida contagiante. Somente o seu entusiasmo e sua vida abundante despertarão outros a conhecer mais de Deus. 
2. Quanto mais parecido for o pastor de um empresário, menos as pessoas se interessarão em ouvi-lo. Quanto mais humano e íntegro, maior será sua credibilidade. As pessoas buscam lideranças espirituais e não gerências. Por favor, pastores, não se esqueçam do conselho de Pedro: "Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelo do rebanho" (1Pe 5.2-3)...."  (trecho da Reflexão de Ricardo Gondim - Clamor de um novo convertido - link no final do texto)

Como uma pessoa deveria receber a Palavra de Deus quando alguém viesse ter com ela para falar?
Para esta pergunta a melhor resposta é ter como exemplo o povo de Beréia, pois a Bíblia diz que eles eram mais nobres que os de Tessalônica, porque ouviam o que os apóstolos diziam, mas antes de aceitar como sendo verdade confirmavam tudo nas Escrituras. Isto está em Atos 17:10 e 11.

Para quem ouve alguém falar sobre a Palavra, deve levar em consideração que não é a vida do mensageiro que está sendo exposta, mas a de Jesus. Por mais corretos e íntegros que possamos ser, estamos longes de sermos perfeitos, por isto falamos da vida de Jesus e não das nossas próprias vidas.
 
Os evangelhos não são livros sobre a "perfeição" da vida dos apóstolos, mas sim a santidade dos ensinamentos de Jesus. Aliás, seria bom se quando lesse-mos os evangelhos prestássemos mais atenção não só na santidade, mas  na "humanidade" dos apóstolos. 
Cada um deles tinham características próprias,  dentro de suas falhas e qualidades mostravam sua humanidade, não eram perfeitos, mas a grande questão era a entrega de cada um em levar a Palavra de Deus a todos.

Precisamos entender que ao ouvir a Palavra de Deus o que temos que fazer é buscar a verdade diretamente na fonte, entender que se falamos de um Deus vivo, podemos conversar através de orações. A oração é uma conversa direta que podemos ter com Ele e como em todas as conversas os dois falam, caso contrário seria apenas um monologo.
Não tarde em falar, mas não se apresse em querer ouvir, confie que na hora certa saberá o que fazer, "....a oração de um justo pode muitas coisas." Tiago 5:16

O que precisamos é sermos bons ouvintes,  confiar em Deus para que Ele nos restaure e, principalmente, procurar ser um solo fértil para que Sua Palavra seja semeada e que suas raízes sejam firmes. Não podemos ter nossos corações duros como se fossem rochas, a semente é lançada e precisa crescer e durar o tempo que for necessário em nós.   

"..O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. " Mateus 13:20,21

Soli Deo Gloria

José Luiz de Paiva
Créditos ao texto mencionado, para ver clique aqui